sábado, 5 de fevereiro de 2011

O Bem - Consciência e Vigilância



O Doutor José Ângelo Gaiarsa, brasileiro, médico psiquiatra, escritor e psicoterapeuta de renome nacional, de quem eu tive a honra de privar de seus ensinamentos já há algum tempo, disse certa vez que “se todas as pessoas fossem boas como elas acreditam ser, o mundo seria um paraíso”. Confesso que durante um bom tempo guardei essa fala, ora concordando, ora discordando dela. Porém, tendo refletido com mais apuro sobre o assunto, agora tenho plena concordância com ela, uma vez que não pairam dúvidas de que há uma considerável diferença entre o pensar e o ser, ou seja, sobre o pensamento e a consciência.

Eu mesmo já escrevi dizendo que a pessoa é aquilo que ela pensa que é. Por outro lado, também já li estudiosos dizendo a mesma coisa. Hoje acredito ser necessário, no mínimo, relativizar essa idéia, até porque acredito que o individuo não é simplesmente aquilo que ele pensa que é, mas, sim a consciência que ele tem de si mesmo e a pratica correspondente a esse saber. O que é diferente, já que para ter essa consciência demanda que ele tenha um conhecimento bem mais esmerado de si próprio.

Quantas pessoas se enganam a respeito delas próprias, identificando-se, por exemplo, com seu lado profissional: eu sou médico, eu sou pintor, eu sou advogado. Na verdade nós sempre mais estamos do que somos. Eu estou escritor, não sou escritor; eu estou artesão, não sou artesão. Quem você é está na sua essência, no conjunto de valores, princípios, crenças, etc., que formam o seu caráter e se espraiam pela sua personalidade e em sua prática diária.

Há tempos existe uma identificação muito grande com o ter: bens, posição social, poder. Pessoas falam muito mais do que elas têm do que elas são. Em síntese eu diria que vivem como se fossem aquilo que elas têm. Em suas falas o tempo todo elas se remetem ao eu tenho isso, eu tenho aquilo, eu vou comprar isso, etc. Quem é você cara pálida? O carro, o apartamento, o sítio, a fazenda, o celular, o cargo, o título? Quem é você?

Voltando à fala do Dr. Gaiarsa, sobre ser bom... Há uma tênue e estreita linha que nos separa do bem e do mal. Sempre que há uma ausência do bem, eis que surge o mal; se você não está fazendo o bem é provável que esteja fazendo o mal. Não há meio termo, o mais ou menos. Daí a necessidade da constante vigilância, do “vigiar e orar” que já ensinava o Mestre Nazareno. Se você deseja ser bom – fazer o bem –, necessita ir além do pensamento, precisa criar a consciência do bem para fazê-lo com ânimo, esmero e distinção.

Boa Reflexão e viva consciente.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

O Bem – Consciência e Vigilância - Blog Autoconhecimento

O Bem – Consciência e Vigilância - Blog Autoconhecimento

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Bom Tempo Para 2011


Neste momento de transição temporal, onde a criatura humana tem por necessidade deitar um olhar interrogativo sobre o novo ano que irá se iniciar, faz-se mister saber que o ano de 2011 será como você quiser que ele seja. Como diria o nosso amado poeta, Carlos Drummond de Andrade*, ele será bom se você o ajudá-lo a ser bom, ou seja, compete a cada um fazer o melhor a cada dia.

O novo ano se apresenta como um livro aberto a ser ainda escrito por nós. Dependendo em muito da nossa criatividade, dinamismo e preparo para transformá-lo num sucesso ou não. A nossa história é feita de tempo. Um segundo, um minuto, uma hora, um dia, e assim sucessivamente segue a nossa vida. Cada ação conta quem somos, o que seremos ou queremos ser.

A nossa história também se compõe de conhecimento. Na ignorância nos perdemos de nós mesmos, seduzidos que podemos ser por atalhos que poderão nos perder ou atrasar nossa jornada. Na arrogância pensamos já saber tudo, criamos a ilusão da autosuficiência quando cada vez mais temos prova de que somos todos aprendizes da vida neste universo em constante mutação.

Amor, benevolência, humildade, solidariedade, compreensão, consciência, alegria, autenticidade, humanismo, compartilhamento, honestidade, ética, são alguns valores, princípios, virtudes ou hábitos que podemos cultivar a todo tempo e lugar. É tempo de investir no “ser” humano e espiritual. Cabendo a cada um a responsabilidade de escolher e semear boas sementes para que 2011 seja um tempo bom e pródigo em boa colheita.

Boa Reflexão e viva consciente.


*Carlos Drummond de Andrade, escreveu o poema Previsão do Tempo para 1967

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Educação Muito Ruim



Na verdade não precisaria ninguém lá de fora vir aqui dizer em que nível anda a nossa educação, mas, por via das dúvidas, aí vai a informação:

O Brasil ficou em 53º lugar entre 65 países no último ranking do Pisa Em edição publicada nesta quinta-feira, a revista britânica The Economist diz que dados recém-divulgados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) mostram que a educação brasileira teve "ganhos sólidos" na última década.

Ainda assim, a revista afirma que "o progresso recente meramente elevou o nível das escolas de desastroso para muito ruim".

A Economist se referia à divulgação, na última terça-feira, do 4º Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), que mediu o nível da educação em 65 países. O Brasil ficou na 53º colocação, tendo obtido 412 pontos em leitura, 386 em matemática e 405 pontos em ciência.

O desempenho do país em cada uma das três áreas foi, em média, 20 pontos superior ao registrado no último teste, em 2006. O resultado fez com que a OCDE considerasse que o caso brasileiro revelava "lições encorajadoras".

Em entrevista à Economist, a pesquisadora Barbara Bruns, do Banco Mundial, cita entre os motivos para a melhoria o sistema brasileiro de avaliação escolar, criado há 15 anos.

"De um ponto de partida em que não havia nenhuma informação sobre o aprendizado do estudante, as duas (últimas) presidências construíram um dos sistemas de medição de resultados educacionais mais impressionantes do mundo", disse ela.

Apesar do avanço, a revista diz que dois terços dos jovens de 15 anos são incapazes de fazer qualquer coisa além de aritmética básica.

"Mesmo escolas privadas e pagas são medíocres. Seus pupilos vêm das casas mais ricas, mas eles se tornam jovens de 15 anos que não se saem melhor que um adolescente médio da OCDE", afirma a publicação.

Segundo a Economist, uma das razões para a má qualidade do ensino é o desperdício de dinheiro. "Como os professores se aposentam com salários integrais após 25 anos para mulheres e 30 para homens, até a metade dos orçamentos da escola vai para as aposentadorias", diz a revista.

A publicação afirma ainda que, exceto em poucos locais, professores podem faltar em 40 dos 200 dias escolares sem ter o salário descontado.

A Economist diz que o país estabeleceu a meta de alcançar a média da OCDE na próxima década, mas alerta que, "no ritmo atual, chegará só até a metade do caminho".

A solução, aponta a revista, é propagar iniciativas como a da cidade do Rio (que combate a falta de professores dando pagando bônus às escolas que atingirem metas) e a do Estado de São Paulo (que criou plano de carreira a professores que vão bem em testes de conhecimento).

"Se o Brasil alcançar a nota, será porque conseguiu espalhar essas práticas inovadoras por todos os cantos", conclui a revista.