quinta-feira, 5 de novembro de 2015

A Terceirização dos Filhos

Algo preocupante na seara das famílias, independente do extrato social em que se localizem, é o despreparo, descompromisso e falta de consciência cada vez mais evidente dos pais no que se refere à educação dos filhos.
Hoje em dia, principalmente, está a ocorrer um fenômeno que chamo de “terceirização dos filhos”, onde pais, sob as mais variadas justificativas, têm entregado a educação dos filhos aos avós, escolas, babás, “escolinha de isso ou aquilo”, e até mesmo à chamada “babá eletrônica”; a televisão.  Na falta de um conhecimento mais apurado daquilo que influencia a formação do caráter ou da personalidade das crianças, principalmente na mais tenra idade, que vai de zero a oito anos de idade, essa, como já afirmei, tem sido uma tendência crescente. Uma ressalva, nada contra os avós, sim contra pais que os usam para se desresponsabilizar daquilo que é seu imediato dever.
Num tempo que prestei uma espécie de assessoria a uma escola infantil, percebi que muitos pais praticamente exigiam que a escola “desse um jeito” em seus filhos, como se fosse responsabilidade da escola educa-los. E de nada adiantava dizer a eles que o papel do estabelecimento era o de instruí-los ou, quando muito, o de ser um parceiro na formação do seu filho, o que eles queriam era repassar suas responsabilidades escola.
Quando organizávamos palestras para tratar de temas voltados ao aprimoramento da educação dos pequenos, a frequência dos pais era mínima; como se eles não precisassem adquirir mais nenhum conhecimento. Aliás, a arrogância de muitos pais em achar que já sabem tudo a respeito da educação dos filhos é gritante; para não dizer irritante. Já que a maioria pouco sabe a respeito do assunto e negam-se a aprender.
Sendo assim, creio então que falta humildade a maior parte dos pais para entender que, se querem educar com excelência os seus filhos, precisam rever valores, princípios, paradigmas, crenças ou preconceitos, no tocante à realização dessa pretensão. Se ambicionarem que seus filhos sejam melhores, que se apresentem mais preparados para enfrentar os desafios da vida, antes devem prepara-los com esmero ao invés de entrega-los ao “Deus dará”; como se vivêssemos nos melhor dos mundos onde tudo acontece da mais perfeita maneira, espontaneamente, sem que se faça algum esforço para que o melhor sobrevenha satisfatoriamente.
Encerrando esta breve reflexão, ainda chamo a atenção para outro elemento que tem feito parte desta “terceirização”, a medicalização precoce, ou seja, as drogas que estão sendo usadas quase que indiscriminadamente, sob a égide de diagnósticos muitas vezes imprecisos, como forma de  controle de pretensas anomalias no comportamento da criança.
Enfim, para educar filhos com excelência necessita-se de pais excelentes; preparados, responsáveis, conscientes, afetuosos e compromissados em propiciar o melhor de si para executar esta que, não obstante as dificuldades inerentes à sua execução é uma benfazeja e inestimável tarefa.
Boa Reflexão!

Nenhum comentário:

Postar um comentário