Algo preocupante na seara das famílias,
independente do extrato social em que se localizem, é o despreparo,
descompromisso e falta de consciência cada vez mais evidente dos pais no que se
refere à educação dos filhos.
Hoje em dia, principalmente, está a
ocorrer um fenômeno que chamo de “terceirização dos filhos”, onde pais, sob as
mais variadas justificativas, têm entregado a educação dos filhos aos avós,
escolas, babás, “escolinha de isso ou aquilo”, e até mesmo à chamada “babá
eletrônica”; a televisão. Na falta de um
conhecimento mais apurado daquilo que influencia a formação do caráter ou da
personalidade das crianças, principalmente na mais tenra idade, que vai de zero
a oito anos de idade, essa, como já afirmei, tem sido uma tendência crescente.
Uma ressalva, nada contra os avós, sim contra pais que os usam para se
desresponsabilizar daquilo que é seu imediato dever.
Num tempo que prestei uma espécie de
assessoria a uma escola infantil, percebi que muitos pais praticamente exigiam
que a escola “desse um jeito” em seus filhos, como se fosse responsabilidade da
escola educa-los. E de nada adiantava dizer a eles que o papel do
estabelecimento era o de instruí-los ou, quando muito, o de ser um parceiro na
formação do seu filho, o que eles queriam era repassar suas responsabilidades
escola.
Quando organizávamos palestras para
tratar de temas voltados ao aprimoramento da educação dos pequenos, a
frequência dos pais era mínima; como se eles não precisassem adquirir mais
nenhum conhecimento. Aliás, a arrogância de muitos pais em achar que já sabem
tudo a respeito da educação dos filhos é gritante; para não dizer irritante. Já
que a maioria pouco sabe a respeito do assunto e negam-se a aprender.
Sendo assim, creio então que falta
humildade a maior parte dos pais para entender que, se querem educar com
excelência os seus filhos, precisam rever valores, princípios, paradigmas,
crenças ou preconceitos, no tocante à realização dessa pretensão. Se ambicionarem
que seus filhos sejam melhores, que se apresentem mais preparados para
enfrentar os desafios da vida, antes devem prepara-los com esmero ao invés de
entrega-los ao “Deus dará”; como se vivêssemos nos melhor dos mundos onde tudo
acontece da mais perfeita maneira, espontaneamente, sem que se faça algum
esforço para que o melhor sobrevenha satisfatoriamente.
Encerrando esta breve reflexão, ainda
chamo a atenção para outro elemento que tem feito parte desta “terceirização”, a
medicalização precoce, ou seja, as drogas que estão sendo usadas quase que
indiscriminadamente, sob a égide de diagnósticos muitas vezes imprecisos, como
forma de controle de pretensas anomalias
no comportamento da criança.
Enfim, para educar filhos com excelência
necessita-se de pais excelentes; preparados, responsáveis, conscientes,
afetuosos e compromissados em propiciar o melhor de si para executar esta que,
não obstante as dificuldades inerentes à sua execução é uma benfazeja e
inestimável tarefa.
Boa Reflexão!

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