Há tempos li uma espécie de parábola que nos serve para uma boa reflexão, não só sobre o egoísmo e a arrogância temas sobre os quais fiz menção em outros textos, mas, também, para outros hábitos ou atitudes de igual teor. Narro a seguir a estória, para depois comentar: “Imagine que o Criador ao proporcionar a vida ao ser humano, também lhe fornecesse um pacote com sementes de flores e um canteiro onde ele deveria semeá-las e cultivá-las durante a sua existência. Porém, após nascer e crescer, levado por uma série de descaminhos, ele deixa de lado suas boas sementes e passa a plantar espinhos em vez de flores. E aí, num determinado instante de sua existência, acossado pelas dores da vida, o ser humano se depara com o espinheiro que plantou”.
Reportando-nos atentamente à vida real, vemos que, tal qual a parábola, é assim que tem acontecido com grande parte das pessoas. Apesar de possuírem uma diversidade inigualável de recursos para desenvolverem e deles fazerem bom uso, elas teimam em fincar o pé na mediocridade ao não empreenderem nenhum esforço para melhorar suas performances existenciais. Pelo contrário, amparadas por falsas crenças, arrogância, valores ilusórios e outros aprendizados negativos, vão por aí semeando seus espinhos por onde passam. E quando se deparam com o resultado de tudo quanto plantaram, tentam desesperadamente convencer a si próprias e aos demais que não possuem qualquer responsabilidade com tudo quanto lhes acontece, assumindo papéis de vítimas ou injustiçadas.
É nesse contexto que surgem duas das mais corriqueiras posturas, sobre as quais já fiz referência em texto sobre o egoísmo, mas que vou repetir para dar maior clareza a esta reflexão. A primeira delas é a do sentimento de culpa, situação em que o indivíduo levado pela compunção por ter cometido atitudes ruinosas, cria situações de sofrimento tanto emocional como físico buscando se autopunir e, ao mesmo tempo, atrair a piedade alheia. Seria o mesmo que dizer que ele vai deitar e rolar no espinheiro que plantou na tentativa de redenção de seus mal feitos. A Segunda postura, adotada também por inúmeras pessoas, é a de não assumir a responsabilidade pelos seus atos, situação em que elas se amparam no hábito do desculpismo, ou seja, de todas as formas tentam culpar os outros, as situações e, até mesmo, Deus, por tudo quanto fizeram. Em ambas as situações o sofrimento é eminente, resultado do que plantaram.
Assim sendo, a atitude mais positiva e saudável a ser tomada nessas circunstâncias é a de assumir conscientemente a responsabilidade pelos nossos atos – pelos espinhos que plantamos –, arrependendo-nos de tê-los feito. Isto por que, ao assumirmos nossos erros com humildade, estaremos eliminando gradativamente os espinhos plantados e retomando nosso desígnio original de só plantarmos flores em nossa existência. A culpa pune, o arrependimento purifica.
Boa Reflexão e viva consciente.

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