segunda-feira, 8 de agosto de 2011

O Que você Semeia


Há tempos li uma espécie de parábola que nos serve para uma boa reflexão, não só sobre o egoísmo e a arrogância temas sobre os quais fiz menção em outros textos, mas, também, para outros hábitos ou atitudes de igual teor. Narro a seguir a estória, para depois comentar: “Imagine que o Criador ao proporcionar a vida ao ser humano, também lhe fornecesse um pacote com sementes de flores e um canteiro onde ele deveria semeá-las e cultivá-las durante a sua existência. Porém, após nascer e crescer, levado  por uma série de descaminhos, ele  deixa de lado suas boas sementes e passa a plantar espinhos em vez de flores. E aí, num determinado instante de sua existência, acossado pelas dores da vida, o ser humano se depara  com o espinheiro que plantou”.
Reportando-nos atentamente à vida real, vemos que, tal qual a parábola, é assim que tem acontecido com grande parte das pessoas. Apesar de possuírem uma diversidade inigualável de recursos para desenvolverem e deles fazerem bom uso,  elas teimam em fincar o pé na mediocridade ao  não empreenderem nenhum esforço para melhorar suas performances existenciais. Pelo contrário, amparadas por falsas crenças, arrogância, valores ilusórios e outros aprendizados negativos, vão por aí semeando seus espinhos por  onde passam. E quando se deparam com o resultado de tudo quanto plantaram, tentam desesperadamente convencer a si próprias e aos demais que não possuem qualquer responsabilidade com tudo quanto lhes acontece, assumindo papéis de vítimas ou injustiçadas.
É nesse contexto que surgem duas das mais corriqueiras posturas, sobre as quais já fiz referência em texto sobre o egoísmo, mas que vou repetir para dar maior clareza  a esta reflexão. A primeira delas é a do sentimento de culpa, situação em que o indivíduo levado pela compunção por ter cometido atitudes ruinosas, cria situações de sofrimento tanto emocional  como físico buscando se autopunir e, ao mesmo tempo, atrair a piedade alheia. Seria o mesmo que dizer que ele vai  deitar e rolar no espinheiro que plantou na tentativa de redenção de seus mal feitos. A Segunda postura, adotada também por inúmeras pessoas, é a de não assumir a responsabilidade pelos seus atos, situação em que elas se amparam no hábito do desculpismo, ou seja, de todas as formas tentam culpar os outros, as situações e, até mesmo, Deus, por tudo quanto fizeram. Em ambas as situações o sofrimento é eminente,  resultado do que plantaram.
            Assim sendo, a atitude  mais positiva e saudável a ser tomada nessas circunstâncias é a de  assumir  conscientemente a responsabilidade pelos nossos atos – pelos espinhos que plantamos –, arrependendo-nos de tê-los feito. Isto por que, ao assumirmos nossos erros com humildade, estaremos eliminando gradativamente os espinhos plantados  e retomando nosso desígnio original de só plantarmos flores em nossa existência. A culpa pune, o arrependimento purifica.       
            Boa Reflexão e viva consciente.

sábado, 30 de abril de 2011

डेस्कोन्स्त्रुइन्दो Harry




Filme de Woody
Allen - Desconstruindo Harry

"As palavras mais bonitas não são 'eu te amo, são 'é benigno'".


"Você precisa conhecer a si mesmo, sem enganos, aceite suas limitações e continue adiante."


"Todos conhecem a mesma verdade. A nossa vida depende de como decidimos distorcê-la."

terça-feira, 1 de março de 2011

A Melhor Estratégia


Às vezes, por declarada incompetência, por algum desvio de caráter mais profundo ou simplesmente por medo, algumas pessoas sentem-se desconfortáveis ou ameaçadas quando percebem o sucesso de outrem. E isso acontece nas mais variados ambientes, seja na família, no trabalho, nos relacionamentos, no convívio em sociedade, etc. Exemplos para caracterizar esse desvio comportamental é que não faltam, basta observar para encontrá-los, alguns sob o ar da inveja, outros sob a vestimenta de críticas, suspeições ou desqualificações generalizadas. Denominar de medíocre ou mesquinho esse tipo de comportamento não resolve e nem muda coisa alguma, porque é necessário compreender a base errática desse hábito que dá origem ao que chamo de “competição negativa”.

O que muitos banalmente chamam de inveja, às vezes encobre ou disfarça um sentimento íntimo de incapacidade perante os obstáculos ou desafios que, naturalmente, a vida apresenta para que se possa aprender e evoluir. Por outro lado, é importante observar que, quando alguém busca desqualificar ou desvalorizar o outro, independentemente do critério utilizado, isso não resulta necessariamente em ganho real para quem o faz, pelo contrário, perde este a oportunidade de apresentar suas próprias qualidades, ou seja, peca por deixar de falar bem de si mesmo para falar mal do outro.

A boa competição, ou a melhor estratégia, se estabelece a partir do momento em que procuramos apenas demonstrar nossas qualidades e competências, sem desrespeitar ou denegrir os outros. Ou seja, o ponto de referência para que nos qualifiquemos a sermos bem sucedidos em qualquer setor existencial, tem que ser o nosso melhor, pois, em tudo que fizermos estará expresso esse conceito singular e único a respeito de nós mesmos. Lembrando ainda que, para ser vencedor não é necessário derrotar o outro, e sim vencer seus próprios medos, deficiências e limites.

Boa Reflexão e viva consciente.

E Por Falar em Carnaval...



Embora o carnaval seja o momento propício para que as pessoas vistam suas fantasias ou máscaras, é possível observar que, contrariando essa expectativa, algumas delas na verdade despem-nas e se apresentam como verdadeiramente são. Sob a falsa máscara da alegria ou da descontração, euforicamente muitas liberam, por assim dizer, seus instintos e seus bichos. Chegando algumas, em face dos exageros de conduta, ao despautério de atentarem contra as suas próprias vidas ou a de outrem. Quem desconhece os inúmeros casos que ilustram essa narrativa?

O carnaval é festa do ego. Poucos são os que se investem de autêntica alegria para brincá-lo. Mesmo que de modo inconsciente, os instintos e impulsos acabam por substituir a descontração que deveria naturalmente ser vivenciada e sentida. Porém, somente pessoas com baixa autoestima cometem exageros e agem de forma autodestrutiva, levando para onde for suas raivas, insatisfações e desamor por si e pelos outros.

Pessoas de boa autoestima com certeza sabem “curtir” a festa com saudável animação. Respeitam a si próprias e aos outros e aproveitam o “embalo” para liberar a sua “criança” de maneira saudável. Aliás, essa é a receita para quem deseja aproveitar bem o carnaval: permitir-se ser alegre e brincar pelo prazer de brincar.

Boa Reflexão e viva consciente.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

O Bem - Consciência e Vigilância



O Doutor José Ângelo Gaiarsa, brasileiro, médico psiquiatra, escritor e psicoterapeuta de renome nacional, de quem eu tive a honra de privar de seus ensinamentos já há algum tempo, disse certa vez que “se todas as pessoas fossem boas como elas acreditam ser, o mundo seria um paraíso”. Confesso que durante um bom tempo guardei essa fala, ora concordando, ora discordando dela. Porém, tendo refletido com mais apuro sobre o assunto, agora tenho plena concordância com ela, uma vez que não pairam dúvidas de que há uma considerável diferença entre o pensar e o ser, ou seja, sobre o pensamento e a consciência.

Eu mesmo já escrevi dizendo que a pessoa é aquilo que ela pensa que é. Por outro lado, também já li estudiosos dizendo a mesma coisa. Hoje acredito ser necessário, no mínimo, relativizar essa idéia, até porque acredito que o individuo não é simplesmente aquilo que ele pensa que é, mas, sim a consciência que ele tem de si mesmo e a pratica correspondente a esse saber. O que é diferente, já que para ter essa consciência demanda que ele tenha um conhecimento bem mais esmerado de si próprio.

Quantas pessoas se enganam a respeito delas próprias, identificando-se, por exemplo, com seu lado profissional: eu sou médico, eu sou pintor, eu sou advogado. Na verdade nós sempre mais estamos do que somos. Eu estou escritor, não sou escritor; eu estou artesão, não sou artesão. Quem você é está na sua essência, no conjunto de valores, princípios, crenças, etc., que formam o seu caráter e se espraiam pela sua personalidade e em sua prática diária.

Há tempos existe uma identificação muito grande com o ter: bens, posição social, poder. Pessoas falam muito mais do que elas têm do que elas são. Em síntese eu diria que vivem como se fossem aquilo que elas têm. Em suas falas o tempo todo elas se remetem ao eu tenho isso, eu tenho aquilo, eu vou comprar isso, etc. Quem é você cara pálida? O carro, o apartamento, o sítio, a fazenda, o celular, o cargo, o título? Quem é você?

Voltando à fala do Dr. Gaiarsa, sobre ser bom... Há uma tênue e estreita linha que nos separa do bem e do mal. Sempre que há uma ausência do bem, eis que surge o mal; se você não está fazendo o bem é provável que esteja fazendo o mal. Não há meio termo, o mais ou menos. Daí a necessidade da constante vigilância, do “vigiar e orar” que já ensinava o Mestre Nazareno. Se você deseja ser bom – fazer o bem –, necessita ir além do pensamento, precisa criar a consciência do bem para fazê-lo com ânimo, esmero e distinção.

Boa Reflexão e viva consciente.